Querem me enlouquecer!!!

Blog de uma pessoa que está sendo levada à loucura.

Quando eu tinha 15 anos, minha irmã fugiu de casa, meu pai e meu irmão se isolaram e minha mãe entrou em depressão profunda e quase morre. Desde esse dia, minha vida se tornou um caos e eu luto dia à dia pra não entrar em conflito com a minha mãe, por mais razão que eu tenha e nem deixá-la mais triste.




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Segunda-feira, Março 20, 2006

Passei uns tempos ausente, mas explico: infelizmente meu sogro faleceu. Faltavam apenas dois dias para ele voltar da viagem dele de férias quando passou mal. Engasgou-se enquanto escovava os dentes, o engasgo - se não me engano - provocou vômito, que provocou uma embolia pulmonar que acabou por provocar um ataque cardíaco fulminante. Uma semana antes, estava com meu esposo, descansando, numa pousada bem legal, bebíamos e comemorávamos quatro meses de casamento. Quando Lyra tentou falar com o pai, a tia atendeu a ligação e disse que ele estava vomitando e que depois ligava. Cerca de trinta minutos depois, uma prima ligou pra avisar do falecimento. Senti-me impotente. Lyra chorava e eu não sabia o que dizer ou fazer. Apenas fiquei abraçada a ele. A única coisa que perguntei era se ele queria pegar um avião. Ele tava sem cabeça na hora pra pensar em qualquer coisa. E eu sem saber o que dizer. Nessas horas sempre prefiro ficar calada. Há quem não goste (não foi o caso do meu esposo), mas é preferível se calar a falar alguma bobagem. Tenho meu pai e minha mãe, mas já perdi tios e avós. A turma, na vontade de confortar, acaba falando besteira. Não queria fazer isso justamente com Lyra. Quando ele se acalmou, fomos procurar passagem na internet. Só achou uma única vaga e ele foi só. E acabei me sentindo impotente novamente. Eu que já nem sabia o que fazer ou falar, nem ao menos ficar do lado dele eu podia. Viajou de madrugada mesmo. Ainda tentei achar outros vôos em outros horários, mas todos só chegavam lá à noite. Não fazia sentido ir.
A noite foi tumultuada. Não conseguia dormir direito. Acordava e às vezes chorava um pouco. Acordei cansada bem cedo, mas não conseguia mais dormir. Passei o dia na casa de meus pais pra não ficar só na minha casa e Lyra ligou várias vezes pra mim durante o dia - também liguei algumas vezes pra ele. O enterro foi feito lá mesmo onde o pai dele estava. A família é quase toda de lá, estavam não só meu marido, mas também meus cunhados, as tias dele, primos, alguns amigos, não fazia sentido trazer o corpo pra ser enterrado aqui. Seria doloroso demais.
É complicado. Pouco mais de um ano de namoro, quatro meses de casamento e vem um baque desses. Num momento que meu esposo precisava, fiquei praticamente sem ação. Enquanto acalentava-o no meu ombro, eu pedia a Deus pra me ajudar no que fazer, no que dizer. Amo demais meu marido. Casar com ele foi uma das decisões mais fáceis - e a mais acertada que tomei na vida. Ele sabe disso. Mas me senti um fracasso nesse momento. Até disse a ele quando voltou que me senti inútil por não ter conseguido vôo.
Ele voltou na segunda feira com o irmão que estava lá. O vôo atrasou o que só fez aumentar minha angústia de olhar nos olhos dele e ver como ele estava realmente. Ele ia chegar inicialmente às 14h, mas o vôo atrasou em 2 horas. Mas não agüentei e cheguei ao aeroporto às 15h. Mamãe e papai foram pra lá também. Tinha médico (ortopedista) neste dia no final da tarde e Lyra acabou indo comigo. À noite fomos andar (eu, Lyra e o irmão dele).
No dia seguinte fiquei com ele até ele se levantar da cama. Cheguei ao trabalho e avisei logo que passaria a semana toda chegando atrasada pra poder ficar com meu esposo. Umas vezes cheguei mais tarde outras, mais cedo. Mas só saia de casa quando, pelo menos, chegava a ajudante que trabalha lá em casa. No trabalho, o pior foi ter que contar inúmeras vezes como foi. E o pior é que nem sei direito como exatamente aconteceu, só por alto. Ficavam perguntando por Lyra, o que é normal.
As noites eram intranqüilas. Pra dormir era até relativamente rápido, mas de madrugada ele acordava rapidamente meio agitado. Ele voltava a dormir, mas eu já não conseguia dormir direito, preocupada com ele. Ficava sem saber o que fazer ou o que dizer, sem saber como ajudar. Tudo o que fazia era abraçá-lo e ficar ao lado dele sempre. A espera pra Missa de 7º dia foi dolorosa. Tínhamos que redigir o texto, publicar em jornal essas coisas todas. Neste dia, deu uma baixa de ânimo nele. Parecia que esse dia nunca chegava. Foi uma das semanas mais longas da minha vida. Na Missa, colegas de trabalho, amigos de Lyra e do pai dele, pessoas da família que moram aqui, familiares da ex-esposa dele (ela não pôde ir por estar viajando a trabalho), minha mãe e meus irmãos. Foi bonita a Missa. Chorei um pouco enquanto o Padre pregava e muito nos agradecimentos de Lyra para a presença de todos, falando sobre o pai, a mãe, familiares, amigos, e principalmente no final, onde agradeceu a mim, que mesmo sendo esposa recente soube apoiá-lo incondicionalmente neste momento difícil. Aliviou um pouco o meu coração, pois achei por uns momentos que não soube apoiá-lo. Realmente cheguei a me sentir inútil. O mais interessante, é que desde que casamos, só morei com meu sogro por 5 semanas. Logo depois ele viajou pra passar Natal, ano e carnaval fora com os outros membros da família (o outro filho, irmãos e sobrinhos dele). Ele passou 5 semanas aqui e quase 12 fora, mas é estranho passar na frente do quarto dele e não ter ninguém lá. Fica um vazio estranho.
O primeiro final de semana foi parado. Passamos praticamente todo o sábado deitado na cama vendo TV e ainda dormi de mau jeito. Resultado: dor de coluna no domingo e nos dias seguintes. Eu que já tinha sido liberada da fisioterapia, voltei a ter dores, mas em local diferente daquele que me levou ao médico. Mas como foi uma dor por passar o dia na cama, ao longo da semana foi melhorando. Depois da primeira semana, o sono dele ficou mais tranqüilo. Mas depois ficou agitado quase 15 dias depois. Ele ficou tão agitado que eu o acordei de madrugada. No outro dia ele não lembrava que tinha tido sono agitado e muito menos que tinha sido acordado. Não sei se porque foi na véspera que se contou a ex-sogra o ocorrido. Demoramos a contar porque a filha dela estava viajando e é ela quem tem mais tato pra contar essas notícias. Lyra depois soube que haviam contado a ex-sogra e que ela chorou muito quando soube. Pode ter sido preocupação inconsciente. Sei lá. Após a noite de sono agitado, fomos ao cinema para espairecer. O pior, é que até mesmo pra desabafar, quando algumas pessoas perguntam sobre ele, eu respondo o que está acontecendo. Mas só pra 2 ou 3 mais chegados. Lyra é muito reservado e eu sou língua solta, aí já viu, não é? Um dos 2 ou 3 mais chegados é outro língua solta que liga de volta pra ele preocupado, contando a ele o que eu contei. Volta Lyra chateado comigo - e com toda a razão. Ok, errei. Mas a pessoa ficando preocupada, não sabe ligar e perguntar como o outro está se sentindo e perguntar como está sendo o dia e como está sendo à noite, já que - normalmente - é o pior horário, já que não se está com a cabeça ocupada? Precisa ligar e dizer - com todas as palavras que eu disse isso, aquilo e aquilo outro? Pergunta como quem não quer nada e Lyra, sentindo confiança na pessoa, diz. E se não disser, a pessoa, pela voz e maneira de falar, vai saber se Lyra está bem ou não. Simples! Bom... Passou, errei e já prometi a ele que não conto mais nada pra ela e nem pra ninguém. Mas que dá vontade de dizer alguma coisa bem escalofabética para a outra língua solta, só pra quando ligar pra Lyra, Lyra dar uma gargalhada na cara dessa pessoa, ahhh... Isso dá. Mas deixa pra lá. O silêncio é melhor. Não digo nem que ta melhor, nem que ta pior, nem que ta superando, nem nada. Digo apenas tá indo pra não ficar realmente em silêncio. Isso quando finjo não ter escutado a pergunta e falar outra coisa e simplesmente não responder. O medo que tenho, é de decepcionar o Lyra. Eu me controlo no começo, mas às vezes me descontrolo com o tempo. Não por maldade. Mas acabo fazendo. Eu só espero não pisar na bola e se isso ocorrer, ele me compreenda.
Mudando de assunto, à pedidos da cunhada de Lyra, copiei as fotos dos sobrinhos - que tiramos em janeiro, quando passamos uma semana lá - pra mandar pra eles. Selecionei as fotos e mandei fazê-las. Depois, meio sem jeito, avisei a Lyra que nas fotos, tinham várias do pai dele com os netos. Avisei pra não pegar ele desprevenido, pois podia ser que quando olhasse as fotos, desse alguma recaída. Não tinha porque não fazer as fotos. Pode doer um pouco agora quando se olha pras fotos, por ser recente. Mas vai ser ótimo pros meninos ter aquela lembrança de dias tão felizes com o avô - embora eles nem vão lembrar - e ver nos olhos e sorriso do avô, a felicidade de estar com os netos que ele sempre desejou ter.

postado por: Claudia Draper 8:53 PM Comentários:





Perfil:

Cognome: Claudia Draper Sim, baseado na personagem de filme homônimo

Idade: 31

Signo: Gêmeos

Estado Civil: Casada

Estado de Humor: Animada (com meu marido) e estressada (com minha mãe e às vezes com o trabalho)

Profissão: Programadora e Analista de Sistemas

Hobbies: Fotografar e viajar




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